terça-feira, 20 de outubro de 2009

Ópera da desgraça alheia: 5º ato - O banho do rato

Rato? Acho nojento. É o bicho mais nojento da natureza. Num precisava nem existir. E foda-se o equilibrio da cadeia alimentar, do Universo e do escambau. Acontece que um resolveu nos brindar com sua ilustríssima visita hoje a noite. Estava minha mãe lavando roupa. Eis que ouço um grito. Corro e descubro que tem um dentuço embaixo do tanque.

Minha mãe gritando na porta do quarto dos fundos, com um rodo na mão. Eu na porta da cozinha, fiscalizando se o rato saía de lá. A vizinha gritando palpite da janela. Comolidar? Não sei. Se estivesse claro e eu não estivesse de chinelos, talvez até arriscaria tentar jogar críquete com o rato na base da vassourada. Mas estava muito escuro pra enxergar a bolinha da vez, deixei pra lá...

Munida com um balde de água, Dona Elminha espantou o rato da área de serviço. Ele se escondeu atras de uma porta entre o quintal e a garagem. A gata preta daqui de casa estava de prontidão, na entrada da garagem, desconfiada de que algo estava acontecendo. E lá vai mais água com muuuito cloro (todo o cloro da casa), ajax e outros produtos, num coquetel poderoso. O rato energumeno fugiu. E deve ter ficado branquinho com o banho químico...

E toca a gata correr atras dele na garagem. E o afugentou pra rua. Mas ele fez o favor de correr pra dentro da garagem da vizinha. E a gritaria e confusão mudou-se pra casa ao lado junto com o roedor. Então, o marido dela roubou minha ideia do críquete e saiu com um porrete caçando o rato.

Depois de cutucar uns cantos, o rato correu pra rua, com o vizinho no encalço. Correu pra longe. E foi tarde.

Com um nojo extremo, minha mãe terminou de usar todos os produtos de limpeza disponíveis pra lavar todo o quintal.

E eu, ao contar a história pra um amigo, ainda ouvi a piadinha clássica: "Ah! Era o Mickey". E eu num consegui não responder com um: "É... era sim, claro. Ele até dançou pra mim".

Agora eu pergunto: tinha necessidade de essa droga de rato aparecer a essa hora? Só pra atrapalhar a novela mesmo, viu...

domingo, 11 de outubro de 2009

O verdadeiro trem da alegria

Sábado. 7h30. Esse que vos escreve estava pronto e animado para seu último dia de curso. Animado sim, apesar de sair de Mauá e ir até a Lapa para tal atividade.

Como nos cinco sábados anteriores, achei que fosse pegar o trem das 7h50 e conseguir fazer as baldeações na hora certa e chegar às 9h em ponto. Confesso que tinha em mim até a disposição de testar um caminho diferente para o último dia. Costumava ir até o final da linha, descer na Luz, pegar o trem "lindo" para Francisco Morato e descer na Lapa. Naquele dia, desceria no Brás, iria de Metrô até a Barra Funda e de lá pegar o trem "mais lindo ainda" de Itapevi até a Lapa. Para quem não sabe, há duas estações Lapa, de duas linhas diferentes. Uma delas, a que seria testada, é mais perto do local do curso.

Enfim... blá blá blás a parte, o importante da história é que quando cheguei na estação, a plataforma estava cheia, o que num é nada normal e indica atraso prévio de trem. Pra completar, o trem habitual também não passou no horário previsto.

Quando ele passou, depois de 8h10, já estava bombando mais que a Faixa de Gaza. Lotado é pouco, abarrotado é pouco. Fui sumariamente empurrado para dentro, consegui me deslocar alguns passos na multidão e parei. Na estação seguinte, mais plataforma lotada e mais gente entrando. Com a movimentação de pessoas, consegui me colocar no corredor, mais cômodo. O pessoal que conseguiu entrar já entrou reclamando que num passava trem há uma hora... e aí se explica a lotação exagerada. Daí que o trem fecha as portas, mas não sai do lugar. E então, obviamente, porque eu mereço, uma mulher começa a passar mal, perto da saída na outra ponta do carro no qual eu estava.

Toca o povo quebrar trava de segurança, tentar acionar saída de emergência, socar vidro, chutar porta, gritar pra segurança. Só que algum esperto, não sei por qual raio de motivo, deslocou a alavanca da saída de emergência da porta que estava perto de mim. No fim tiraram a mulher pela outra saída e a viagem seguiu.

Mas nem tudo é lindo (e se fosse eu não estaria contando aqui). Nas cinco estações seguintes, para desespero dos que iam descer, a porta não abria. E todo mundo começou a querer mexer na tal alavanca pra ver se a porta abria. E é claro que não abria. Finalmente alguém teve a brilhante ideia de colocar o dispositivo na posição inicial. E a porta voltou a abrir. A essa altura muita gente já tinha ficado pelo caminho e muitos não tinham conseguido descer onde planejavam. Galera tava puta, vou dizer.

Quando o transporte público tira o dia pra zoar com a sua cara, ele faz isso com um talento sem igual. Vamos aplaudir o sistema de trens, minha gente!

A propósito, mesmo com toda a papagaiada e aperto no caminho, me atrasei apenas 20 minutos e conclui, no último dia, que a segunda opção de caminho para o curso era mais rápida. Vamos me aplaudir agora, pessoal!


*e com esse épico urbano retomo (pela enésima vez) as atividades do blog

domingo, 23 de agosto de 2009

Só esperança mesmo

Em noite de campanha televisiva pró-infância e juventude, me deixa ser chato mais um pouco.

Acho válido. Não quero aqui ser contra um programa tão antigo e conceituado. Só acho estranho jogarem a responsabilidade toda para o público. Público esse que já paga uma batelada de impostos, já doa moeda nos cofrinhos de supermercados e redes de fast-foods, já ajuda uma instituição de caridade, já doa um alimento pra quem pede de porta em porta.

E não que eu pense que a classe emergente, média, e os ricos, devam se eximir de ligar e contribuir só pelo fato de já ajudar de outras formas. Muito pelo contrário. Quanto mais puder colaborar pra um mundo mais justo, melhor.

Mas é que esse povo pra quem eles solicitam uma ligação de R$7, por meio de um 0500 qualquer, muitas vezes já faz o que está ao alcance, e, mesmo assim, com os apelos midiáticos, esforçam-se em ir além.

Enfim... até acho bonito arrecadar uma grana e distribuir em projetos sociais, hospitais e outras causas. O que quero é reclamar é de gente rica que sobe no palco, fala um monte de palavra bonita, pede dinheiro na TV e num faz mais.

Tem muita gente por aí que pede dos outros e não abre o próprio bolso. Não estou dizendo também que ninguém ali contribui, pois acredito que entre os "famosos" há muita gente de boa vontade, que faz lá suas contribuições. Só estou dizendo que tem gente que poderia fazer mais. Sinceramente, acho um fiasco a contribuição total em uma campanha nacional estar na casa dos R$5 milhões e um monte de gente presente ter salários que representam um quinto, ou que seja um décimo, desse total.

Me dá um grande desgosto ver, por exemplo, um jogador de futebol faturar milhões e doar os 10% pra igreja de ladrões que frequenta. Seria muito mais digno colocar todo esse dinheiro em algum projeto que invista no futuro de crianças carentes. Mas aí já é assunto pra um post futuro.

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

Inconveniência pouca é bobagem

Ontem estive em um velório. Era uma senhorinha, amiga da família, que já estava adoentada. Fomos lá prestar nossa solidariedade.

Entra, cumprimenta, abraça, diz uma palavra de consolo. Senta, bate-papo, dá risada dos papos non-sense de velório. Toma uma água, um café, um chá. Anda pelo cemitério, vê a paisagem, dá uma espiadinha nos outros velórios que estão rolando. Tudo normal.

Algum tempo se passou e lá estava eu, sentado em uma das cadeiras que rodeavam o caixão. O povo todo conversando. De repente entra uma mulher com uma bata preta, uma blusa de gola rulê vermelha por baixo, uma calça legging vermelha bem agarrada naquele corpo mal-diagramado, uma bota preta. O cabelo, loiro e espigado, estava meticulosamente desajustado num rabo de cavalo preso no topo do cocoruto. Um batom vermelho-boca-de-Brás e um andar desengonçado.

O bom é que ela entrou se anunciando. "Posso entrar? Tá aberto pra visitar? Posso olhar?". Eu com aquela cara de "comassim?", continuei observando. Incrível que, mesmo com uma entrada, aos meus olhos, tão triunfal, ninguém pareceu ter reparado a presença especial.

Aproximou-se, então, do caixão, olhou pra irmã da falecida e perguntou, com um tom de condolência que nem que eu treinasse por anos conseguiria obter:

- Era seu esposo?

Ao que veio a resposta, com a maior naturalidade e tranquilidade:

- Não, era minha IRMÃ.

Eu ainda não consegui decidir o que foi mais estranho: a mulher invadir o velório alheio causando, ela perguntar se A MORTA era o ESPOSO da IRMÃ, ou a tranquilidade da irmã para responder numa boa uma pergunta tão estúpida, que talvez merecesse uma resposta cretina.

segunda-feira, 27 de julho de 2009

Propriedade de causa é tudo

Fui a um show há alguns dias e houve um pequeno atraso. Foi coisa boba, uma horinha só...

E onde há demora, há fila formada. Ali não era diferente. Como cheguei cedo, estava logo no comecinho, acompanhando todo o processo de passagem de som, problemas de organização da fila e dificuldade de comunicação entre produção e público.

A empresária da cantora foi até bem simpática. Veio explicar para os presentes que um problema técnico com um cabo causou o atraso da passagem de som. Como isso é uma bola de neve, tudo acabou saindo fora do prazo. Tá bem, aceitável.

A certa altura, aconteceu uma pequena confusão na liberação de público pra entrada. Discussãozinha com o pessoal da produção do show vai, discussãozinha vem, e a moçoila que segurava a fita de isolamento da fila resolveu dar a sua versão do caso.

Baseada na explicação da empresária, com toda a confiança, propriedade e conhecimento técnico que ela conseguiu reunir, lançou: "Já, já, a gente libera pro público estar entrando. É que deu um poblema no cabo do fio."

Hum... Aham...



Mas ó gente, na minha humilde opinião, com um poblema dessa magnitude, teria sido mais prudente cancelar o show. Mas isso é só o que eu acho. E quem sou eu, né?