terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

O emprego

Finalmente contratado. Depois de um ano sabático (de muita vagabundagem, projetos inacabados, envio de currículos e quetais), consegui um emprego.

A oportunidade é excelente. Estou animado pra colocar algumas coisas em prática. Quero crescer profissionalmente. E todas aquelas frases de efeito para novos empregados se aplicam a mim na atual circunstância.

O problema é morar longe do trabalho. Atualmente, estou a cerca de 1h40 da empresa. Estou buscando uma forma de mudar a situação o quanto antes, mas por agora o barquinho precisa remar assim.

Primeiro dia oficial. Uma segunda-feira. Eu, ex-vagabundo que dormia das 4h da manhã ao meio dia todos os dias, acordei 7h. Bem-disposto, empolgadíssimo. Saí de casa, peguei o trem, depois enfrentei uma fila surreal na ponte orca, vim de metrô até o bairro e desci a pé até a empresa.

Muito sol rachando a cuca, muita ladeira, muita gente, muita canseira. E ainda assim, eu continuava dispostinho.

Mas como sou zicado, ao chegar no trampo (dentro do horário, diga-se) descobri que não tinha internet, que ela estava pifada. Como não há jeito de trabalhar numa agência de comunicação voltada à internet sem ter internet, fui orientado a voltar pra casa e trabalhar de lá.

Ainda perguntei pra uma funcionária que também já tinha chegado: "Quando a internet não funciona, sempre volta todo mundo pra casa?" Ao que ela me respondeu: "Isso nunca tinha acontecido antes..." Ou seja? Zica minha mesmo.

E toca enfrentar mais 1h40 de caminhada e transporte público.

Logo que cheguei em casa, descobri que a internet normalizou na empresa cerca de uma hora depois de eu ter saído.

Impressionante como eu sou zicado. Impressionante. Deve ter sido uma espécie de batismo do universo pra mim.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Da série "Eu não possuo condicionamento físico. Alguém tem um pra me emprestar?"

Sempre tem aquela velha promessa a começar "na próxima segunda", né? Pois bem, hoje foi segunda, e ainda por cima primeiro de fevereiro. Resolvi começar a me exercitar e fui correr numa pista que tem aqui no bairro, uma espécie de mini parque horizontal.

Me vesti a caráter: camiseta dry fit, um shorts confortável e meu tênis esportivo. Coloquei uma musiquinha pra tocar e fui a pé até o local, a umas três quadras de casa.

Cheguei lá, alonguei pernas, braços, pescoço, tudo na maior disposição, com toda pinta de corredor profissional. Eu devia virar ator, porque estava até me convencendo de que fazia aquilo todos os dias.

Disparei o contador do celular, que me garantiria meia hora de tortura exercício físico no meio da tarde.

Comecei a andar, numa boa, atento à respiração... Inspira, expira. Sentindo o momento. Curtindo aquele raríssimo acontecimento. Quando chegou tipo no meio do caminho de ida, eu dei uma acelerada. Mas aí a rua começou a subir, e eu comecei a morrer.

Achei prudente dimunuir o ritmo até o final da pista. Fiz a volta e aí era descida... dei mais uma corridinha, porque na descida todo santo ajuda.

Fui até o final de novo, retomei um ritmo mais lento, voltei até a metade e aí deu minha meia hora. Voltei pra casa. Feliz, satisfeito.

Aproveitando que eu estava na pegada, entrei em casa e fui fazer umas abdominais antes de banhar. Graaaande ideia do gênio dos treinamentos. Aí me deu cãimbra. Na barriga. Parecia que ia me dar um nó nas tripas.

Só sei que fui pro banho e minha pressão deve ter caído. Deu um mal-estar e tudo. Minha preguiça se manifestou revoltada. Meu sedentarismo se voltou contra mim. Quase bati minhas botas (ou tênis de corrida).

Condicionamento físico zero. Um terror. Sedentário de carteirinha. Isso porque só fiquei lá meia horinha. Quase faleci. Ainda assim espero entrar no ritmo. Vamos ver se quarta-feira as coisas melhoram no meu segundo dia.

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Oi? Eu ir correr amanhã? Cêis tão doidos. Não é assim que a banda toca... Já tô indo de boa vontade, me deixa quieto no meu "estilo" (ou falta dele). Eu hein...

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Contundindo-se sozinho


Um amigo meu essa semana sofreu uma contratura muscular que o deixou sem poder nem respirar direito. Uma dor nas costas digna de Matusalém.

Dores nas costas são comuns hoje em dia. Resultado de má postura, excesso de peso em mochilas e bolsas, entre outras causas, é um mal que atinge grande parte da população.

Mas o meu caso do meu amigo foi mais, digamos, grave.

Ao voltar de uma festa, ele chegou em casa com uma vontade doida de cagar. Achou até que algo que tinha comido na confraternização tinha feito mal e que iria ser aquela caganeira inescrupulosa. A barriga
resmungava enquanto ele corria pro banheiro. Chegou lá, surpreendeu-se com o material sólido expelido. Foi mais peido do que merda. E foi merda também. Enfim...

O acidente aconteceu na hora de se limpar. Ao torcer o braço pra trás, pra alcançar o furico, deu um mal jeito nas costas. A fisgada foi intensa. E em seguida ficou meio dolorido, mas meu amigo achou que fosse melhorar depois que dormisse.

Só piorou. De manhã, ele mal conseguia andar pela casa. Nada que um relaxante muscular potente e uma tarde inteira dormindo não resolvessem.

Pior foi o pai do meu amigo, que, como o meu, é médico, dizer pra ele antes de liberar a dose do remédio: "Precisa se exercitar". Exercitar o que, exatamente? Cagar mais vezes ao dia? E a culpa, então, é do condicionamento físico nota zero. Aí eu pergunto: tem coisa mais chata do que "se exercitar"?

Hoje meu amigo está bem das costas e voltou a sorrir.

sábado, 19 de dezembro de 2009

Maldição da poeira

Se tem uma coisa que eu amo nesse mundo é a poeira. Ela é tão benéfica. Meus pulmões pulam de alegria.


E eu já nem tenho rinite alérgica mesmo... Aí vou me meter a pegar uma avenida da cidade que passa por obras do Rodoanel. Um sol de fritar mandioca na terra. Um calor de fazer lagarto suar. E eu no carro, sem a menor chance de andar com a janela fechada.

Passa um caminhão, levanta aquela super nuvem de poeira vermelha da rua. Terra seca tem essa tendência chata de se dissipar em forma de pó no calor né?

Ai
a maldita da minha rinite resolveu atacar. E a uma semana do natal e duas do ano novo, cheio de festa pra participar, fiquei gripado.

Acho que meu pulmão num anda pulando de alegria. Na realidade, ele pula de alergia, toda vez que eu dou uma tossida de cuspir o coração.

Já estou dopado de remédio. Vamos ver se dá resultado...

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Ópera da desgraça alheia: 5º ato - O banho do rato

Rato? Acho nojento. É o bicho mais nojento da natureza. Num precisava nem existir. E foda-se o equilibrio da cadeia alimentar, do Universo e do escambau. Acontece que um resolveu nos brindar com sua ilustríssima visita hoje a noite. Estava minha mãe lavando roupa. Eis que ouço um grito. Corro e descubro que tem um dentuço embaixo do tanque.

Minha mãe gritando na porta do quarto dos fundos, com um rodo na mão. Eu na porta da cozinha, fiscalizando se o rato saía de lá. A vizinha gritando palpite da janela. Comolidar? Não sei. Se estivesse claro e eu não estivesse de chinelos, talvez até arriscaria tentar jogar críquete com o rato na base da vassourada. Mas estava muito escuro pra enxergar a bolinha da vez, deixei pra lá...

Munida com um balde de água, Dona Elminha espantou o rato da área de serviço. Ele se escondeu atras de uma porta entre o quintal e a garagem. A gata preta daqui de casa estava de prontidão, na entrada da garagem, desconfiada de que algo estava acontecendo. E lá vai mais água com muuuito cloro (todo o cloro da casa), ajax e outros produtos, num coquetel poderoso. O rato energumeno fugiu. E deve ter ficado branquinho com o banho químico...

E toca a gata correr atras dele na garagem. E o afugentou pra rua. Mas ele fez o favor de correr pra dentro da garagem da vizinha. E a gritaria e confusão mudou-se pra casa ao lado junto com o roedor. Então, o marido dela roubou minha ideia do críquete e saiu com um porrete caçando o rato.

Depois de cutucar uns cantos, o rato correu pra rua, com o vizinho no encalço. Correu pra longe. E foi tarde.

Com um nojo extremo, minha mãe terminou de usar todos os produtos de limpeza disponíveis pra lavar todo o quintal.

E eu, ao contar a história pra um amigo, ainda ouvi a piadinha clássica: "Ah! Era o Mickey". E eu num consegui não responder com um: "É... era sim, claro. Ele até dançou pra mim".

Agora eu pergunto: tinha necessidade de essa droga de rato aparecer a essa hora? Só pra atrapalhar a novela mesmo, viu...